Akasha - Capítulo 7
Após mais uma passagem pelo hiperespaço, a nave dos heróis parou em mais um planeta para esfriar o motor.
— Enfim chegamos em Nekdok. — Disse Kadmek — Dazimok, tudo bem se eu dar uma volta?
— É claro. — Respondeu o inseto. — Você merece uma folga. — Dazimok então se virou para Douglas — Você não quer ir junto?
Douglas ficou nervoso.
— Bom, se o Kadmek não se incomodar...
— Eu tenho mesmo que levar ele, Dazimok? — Perguntou o felino
— Eu gostaria que sim. — Respondeu Dazimok. — Eu entendo o seu lado, mas você não pode esquecer que Douglas é a nossa esperança pra acabar com essa guerra de maneira que seja benéfica para todos. Vocês precisam se dar bem.
Kadmek grunhiu.
— Argh. Tá bom. Vamos, Douglas.
*
Era um dia lindo naquela área do planeta Nekdok: O sol brilhava radiante e não havia uma única nuvem no céu.
Douglas e Kadmek caminhavam por uma praça. Havia o barulho de crianças gunetak brincando e correndo em playgrounds, enquanto os adultos se exercitavam em academias ao ar livre.
Como os gunetak tinham estatura menor que a de um ser humano, Douglas se divertiu em ver aqueles gatos humanoides utilizando de equipamentos em miniatura.
— Aqui não é o planeta natal da sua espécie, né? — Perguntou Douglas, se sentando no chão já que ele não cabia no banco — Eu não tô vendo a espécie da Plassan aqui. Se me lembro bem as duas espécies são do mesmo planeta, né?
— Você está certo. — Respondeu Kadmek — Nossas espécies têm o mesmo planeta de origem, que não é aqui. Nekdok é um refúgio para nós gunetak, um santuário aonde podemos viver livres das garras do império Torun. — Kadmek cuspiu no chão — Nem todos os gunetaks vivem aqui, claro, mas tem bastante de nós vivendo neste planeta.
— Legal. — Respondeu Douglas — Hein, eu lembro de ter ouvido que a sua espécie sofreu mais que os outros sob o Império. Eu fiquei curioso, tá tudo bem pra você falar disso?
Kadmek ficou quieto por um tempo, apenas encarando o martelo que repousava em seu colo.
— Uma série de fatores. — O gato então disse — Nós gunetaks somos uma espécie que valoriza o combate, o que é algo que vai contra o Budismo.
— É bem hipócrita os toruns terem oprimido vocês por causa disso.
— Nós também somos quase que exclusivamente carnívoros. O Budismo proíbe o consumo de carne. E por fim, nossa principal prática religiosa é o culto aos espíritos dos ancestrais, o que vai contra a ideia budista de que quando você morre você vira um novo ser.
Uma leve brisa soprou.
— Somando tudo isso, — Continuou Kadmek — os pássaros decidiram que nós éramos a espécie que mais precisava de “iluminação”. — O felino disse essa última palavra com um profundo desdém.
— Putz, que merda. — Comento Douglas — Dá pra ver por que você não gosta do Budismo.
— Pois é.
A conversa foi interrompida por sons de disparos e martelos se chocando contra metal.
Os soldados gunetak estavam lutando contra um ser que já era familiar para Douglas: Um demônio de Mara.
Aquele demônio trajava uma armadura azul e verde e possuía quatro braços, cada um empunhando uma espada.
O ser matava os gunetaks que encontrava pela frente, fossem civis ou soldados, até que encontrou seu verdadeiro alvo: Douglas.
— Então vocês podem me seguir até o plano material? — Questionou Douglas. — Muito bem, vamos resolver isso logo.
Após essas palavras, Douglas se transformou em Semreh Magnus e disparou bolas de fogo dourado contra o inimigo.
“Eu não vou ficar aqui parado”, pensou Kadmek, que empunhou seu martelo e avançou contra o demônio.
— Não faz isso, Kadmek! — Gritou Semreh.
— Essa luta também é minha, futuro Buda!
Kadmek bateu com seu martelo nas pernas do demônio. O inimigo perdeu o equilíbrio por um instante, mas logo se recuperou. O agente de Mara balançou suas espadas contra o felino, mas Semreh rapidamente se colocou entre os dois, protegendo o amigo do ataque.
Kadmek aproveitou que Semreh estava ajoelhado e pulou no ombro do guerreiro humano, usando-o como degrau pra alcançar o demônio e dar uma martelada em sua cabeça.
O inimigo ficou desnorteado. Semreh então deu uma joelhada com tanta força no tórax do demônio que chegou a amassar sua armadura.
— Não vou sujar minhas mãos com você! — Gritou Semreh, que então arrancou uma das espadas do demônio da mão e cortou sua cabeça com ela.
*
— Mais um ataque. — Disse Dazimok quando Douglas e Kadmek voltaram pra nave.
— Estou começando a ficar preocupada com isso. — Comentou Plassan.
— Não fique, minha amiga. — Respondeu o inseto — Esses conflitos significam apenas que estamos no caminho.
E então, após ajeitar suas antenas, ele disse:
— Vamos prosseguir.
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